Documento
Anexos
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792-2
Metadados
Número de registro
792
Denominação
Cadeira
Classificação
Local de produção
Data de produção
Acervo
Museu do Diamante
Procedência
Diamantina | Minas Gerais
Autor
Material/Técnica
entrançado | jacarandá | madeira | marcenaria | palhinha
Temas
Altura (cm)
87
Largura (cm)
46,5
Profundidade (cm)
41,5
Resumo descritivo
Cadeira de manufatura singela e eclética, confeccionada em madeira (jacarandá), de estrutura retangular e assento trapezoidal com a parte frontal reta. Apresenta encosto dividido em duas traves dispostas horizontalmente, ambas com recorte em curva, sendo que, na trave superior, o entalhe ultrapassa os montantes e é arrematado em duas pontas. Objeto sustentando por quatro pernas de secção quadrangular. Pernas dianteiras com joelheiras em curva e pernas posteriores levemente abauladas para trás. Peça com travejamento nas laterais.
Dados históricos
Sobre Cadeira: “Assento para uma pessoa, dotado, em princípio, de encosto e, eventualmente, de braços. Por sua íntima associação com o homem, a ao contrário dos outros móveis destinados ao repouso, à guarda ou à exposição dos objetos, a cadeira forma com seu ocupante um todo, a pessoa sentada não esconde, antes realça, as qualidade de desenho e construção, e a cadeira como que determina a atitude de quem senta. Talvez por essa integração, as partes da cadeira são designadas pelos nomes das partes do corpo humano: assento, pernas, pés, costas, braços.” (1) Sobre o estilo Biedermeier: “Estilo decorativo de transição surgido na Alemanha e na Áustria durante o período de crise que sucedeu às conquistas napoleônicas (c.1815) e se estendeu até mais ou menos 1848, com ramificações na Escandinávia e no norte da Itália. A designação provém do nome do personagem fictício Gottlieb Biedermeier, inventado por um escritor vienense com a intenção de fazer a caricatura da vulgaridade, de presunção, do puritanismo da classe média que surgia; mas o nome ganhou tal popularidade que, de ridículo, passou a ser símbolo de uma época, de um gênero de vida, e chegou a ser aplicado à arquitetura e à pintura daquele período (...) O mais importante criador de móveis foi o austríaco Josef Ulrich Danhauser (1780-1829) cujas peças renovaram o aspecto dos interiores abastados de Viena e foram acolhidas na Europa Central e mesmo em outros países. As formas e decorações ainda se prendem ao Neoclássico, mas os ângulos se arredondam, as linhas nítidas combinam com madeiras claras onde sobressaem incrustações escuras. As cadeiras são muitas vezes em gôndola, têm pernas em curva, braços em volutas. (...) ”. (2) Sobre Mobiliário: “A habitação popular e a dos mais abastados no antigo Arraial do Tijuco, ao longo do século XVIII e primeira metade do século XIX, não teve significativas mudanças. O interior das casas era sóbrio e apenas com o mobiliário essencial, como relatou o viajante Saint Hilaire (1974, p.28): “Quanto aos móveis eram sempre em pequeno número, sendo em geral tamboretes cobertos de couro cru, cadeiras de espaldar, bancos e mesas”./ A partir da segunda metade do século XIX, as habitações das classes mais ricas aperfeiçoaram os seus interiores em espaço, mobiliário e conforto. Os sobrados passaram a apresentar maior número de aberturas para o exterior, permitindo assim maior claridade e melhor arejamento. Também a divisão interna passou a atender às necessidades funcionais. O número de móveis aumentou, importando-se peças variadas e também se fabricando maior quantidade e variedade./ Em fins do século XIX, um interior abastado já tinha uma separação nítida entre os aposentos, cada qual com seu conjunto especializado de peças de mobiliário e de objetos decorativos. Os móveis e a decoração passaram a conhecer mais modas e estilos do que anteriormente./ Dentre as peças de mobiliário preservadas no Museu do Diamante, pode-se observar as curiosas cadeiras sanitárias femininas e masculinas (comuas), que foram amplamente utilizadas pela família colonial brasileira.” (3)
Referências bibliográficas/arquivísticas
(1) MOUTINHO, Stella Rodrigo Octavio et alli. Dicionário de Artes Decorativas e Decoração de Interiores. Ed. Nova Fronteira, 1999. Pág. 69. (2) MOUTINHO, Stella Rodrigo Octavio et alli. Dicionário de Artes Decorativas e Decoração de Interiores. Ed. Nova Fronteira, 1999. Pág. 54. (3) PESTANA, Til Costa. In Catálogo do Museu do Diamante. Ed. Iphan/ Ministério da Cultura. Pág. 55.